Tenha o Mesmo Sentimento que Houve em Cristo Jesus

O Chamado à Abnegação e ao Amor

Em Filipenses 2, sou levado a refletir sobre a essência do cristianismo, começando pelo versículo 4:

“Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus.”

Essa passagem me convida a ter o mesmo sentimento de Cristo – o sentimento de amor, de se doar, de entrega incondicional, sem olhar a quem. É um chamado à abnegação, pois Ele se negou a si mesmo por todos, pelos bons e pelos maus. Assim, devo abrir mão de minhas próprias vontades, especialmente aquelas que não estão alinhadas com a vontade de Deus, e cultivar a mente de Cristo.

Moisés: Um Exemplo de Renúncia e Fé

O livro de Hebreus 11:24 nos apresenta um poderoso exemplo de renúncia:

“Pela fé, Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por algum tempo ter alegria do pecado.”

A história de Moisés é notável. Criado como um príncipe no Egito, com acesso a tudo, ele abriu mão de seu status e privilégios ao descobrir sua verdadeira identidade como hebreu. Essa atitude de renúncia, de não buscar destaque ou exaltação pessoal, é um contraste forte com a tendência humana de querer ser visto e reconhecido. Hoje, muitos preferem manter sua posição de poder a se tornar um servo, esquecendo que toda honra e poder pertencem ao Senhor Jesus Cristo. Sem Ele, não sou nada; necessito ansiar por esse amor que vem do alto.

Humildade, Não Vanglória: O Legado de Cristo

Continuando em Filipenses 2:3, a palavra me guia:

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade. Cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.”

Ele, que tinha todo o poder e glória, abriu mão de tudo. Para mim, é tão difícil abrir mão de coisas pequenas. Quantas vezes as distrações mundanas, como um jogo de futebol, nos impedem de estar na casa do Senhor? Custo a seguir a orientação de um irmão, prefiro o meu próprio caminho. Vemos jovens que hoje só ouvem a internet, negligenciando a sabedoria dos pais e avós. É um tempo difícil, mas preciso me levantar como parte da igreja e ter o sentimento de Cristo, vendo Cristo em cada irmão.

Não devo buscar ser “legal” aos olhos do mundo, mas ser de Cristo. Ser legal é temporário; ser de Cristo é eterno. Ele largou sua essência divina para vir em forma de servo, dando o exemplo. Sou chamado a ser um exemplo em um mundo que busca referências, onde o brilho de Cristo nem sempre é discernível. Essa alegria que devo irradiar vem do Espírito Santo, independente das circunstâncias, pois meu espírito, juntamente com o Espírito Santo, está pronto, mesmo que a carne seja fraca. Preciso dominar minha carne.

O Processo de Esvaziamento e Conversão

Cristo não hesitou em passar pelo processo que O levaria ao propósito divino. Ele suportou. Eu, ao primeiro sinal de dificuldade, já penso em desistir. Mas o Senhor não me dá algo que não possa suportar; Ele sempre oferece um escape, pois me conhece desde o ventre de minha mãe.

Forma de Servo e o Novo de Deus

Filipenses 2:7 diz:

“Mas a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.”

Ele se fez semelhante a mim, passou por tudo o que passo e perseverou. Por isso, preciso perseverar, pois Ele tem o melhor para mim. O que Ele reservou é muito bom, e não devo abrir mão disso, mesmo que o processo seja difícil, pois Ele está comigo e me fortalece. Para que o novo de Deus entre e flua em mim, preciso me esvaziar de mim mesmo. O Senhor é educado; Ele bate à porta. Cabe a mim decidir abrir ou não, assim como Jesus decidiu passar por todo o processo doloroso, sendo obediente até a morte de cruz.

A Humildade Que Cura a Terra

A palavra em 2 Crônicas 7:14 é clara:

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”

É necessário humilhar-me, sair da posição de “eu posso, eu faço, eu quero”. Além de humilhar-me, devo:

  1. Orar
  2. Buscar a face de Deus
  3. Converter-me dos meus maus caminhos

A conversão exige mudança, abrir mão de birras e “dodóis” para me tornar verdadeiramente servo. Quando houver essa conversão, o Senhor sarará a minha “terra”, que é o meu coração. Muitos corações estão machucados e revirados, mas uma terra sarada dá frutos. Preciso permitir que o Senhor revire a minha terra, pois Ele a conhece, habita nela e quer o melhor para mim. Permito-me ser tocado e usado, assim como o Senhor se permitiu ser servo, mesmo sendo Deus.

Obediência, Autocontrole e a Armadura de Deus

Quando sou obediente, sou exaltado pelo Senhor. Não há exaltação sem obediência, sem submissão, sem amor e sem autocontrole. Hoje, a paciência parece curta, e o autocontrole está escasso. Vemos a falta de mansidão e compreensão, tanto nos lares quanto na sociedade. Cristo, porém, foi paciente com um povo rebelde, ouviu a todos e não se exaltou. O inimigo busca destruir a família, pois sabe que ao fazê-lo, destrói a igreja. Preciso estar atento à minha família, cuidar dela e ter a mente de Cristo.

Protegendo a Mente: O Capacete da Salvação

A palavra me alerta: “Quem está em pé, cuide para que não caia.” É essencial proteger a minha mente. Efésios 6, no final do versículo 12, fala da armadura de Deus:

“Contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestiais, use… o capacete da salvação.”

Minha mente é o principal campo de batalha. Preciso usar o capacete da salvação para blindá-la contra os ataques do inimigo e a espada do espírito, que é a palavra de Deus. Devo usá-la dia e noite, não apenas ouvir no culto, mas deixá-la escrita na tábua do meu coração. Isso requer doação, perseverança e dedicação contínua. É preciso amar mais a igreja de Cristo, cuidar dos irmãos, oferecendo um abraço, uma palavra, pois muitos estão carentes. A palavra que ministro primeiro vem para mim; é Deus quem ministra no meu coração, e depois a compartilho com a igreja.

O Nome Sobre Todo Nome e a Unidade Perfeita

Em Filipenses 2:9-11, a grandeza de Jesus é revelada:

“Pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo nome, para que ao nome de Jesus Cristo todo joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra se dobre. E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai.”

Essa é a imensidão do meu Deus, um Deus de poder e glória, que merece todo o meu amor, dedicação e entrega total. Meu amor pela igreja deve ser imenso, sem medidas.

Unidade e o Amor Incondicional do Pai

Como uma criança no ventre da mãe, sinto-me acolhido e amado por Deus. A união de mãos, onde tudo se encaixa perfeitamente, simboliza a unidade na igreja, pois sou parte do corpo de Cristo. João 17:20-23 registra a oração de Jesus pela unidade:

“Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que eles também sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade; e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os amaste a eles como também a mim me amaste.”

Essa glória que me foi dada é um presente, para que sejamos um, em unidade perfeita. Reconheço que o mesmo amor que houve entre o Pai e o Filho é o amor que Ele tem por mim. Ele me ama de tal maneira que deu seu Unigênito para que, crendo Nele, eu não pereça, mas tenha vida eterna.


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